Um conto de coroas, traições, sangue, sexo, honra e mais sangue


Deixe-me admitir que o tamanho desse livro me assustava. Na verdade, o volume da saga inteira me mantinha afastada. Mas depois de ter encarado essa primeira parte, deixei de fugir - eu quero é mais!! Já estou desesperada com o resto dos fãs com a possibilidade da história nunca ser terminada. Eu realmente não sabia que fosse gostar tanto dela assim, que fosse deixar de dormir ou estudar por precisar saber o que ia acontecer com personagem tal, que apareceu pela última vez duzentas páginas atrás. Achei que fosse demorar mais de um mês para terminar de ler.

Tudo se passa em um continente chamado Westeros, praticamente outro planeta/universo. Se formos compará-lo com o nosso, seu período se equivaleria à nossa Idade Média/Moderna. Reinos são governados, cavaleiros são nomeados, a corte vai à caçada, há justas para batalhar. Logicamente, também há reis morrendo, traições planejadas, pessoas “caindo”, sendo envenenadas, etc. Se resumíssemos a história, ela pareceria uma apostila de ensino médio – e com tantos detalhes que, mesmo já me considerando fã da saga, eu não tiraria dez na prova.

É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e você vai se perder ao ler sem atenção. O livro é narrado seguindo oito pontos de vista; pode ser meio irritante algumas vezes, quando os capítulos acabam no clímax de algum acontecimento importantíssimo e o próximo é contado por um personagem para quem você não dá a mínima naquele momento. Tem gente que pula, mas eu preferi não fazer isso. Como eu disse, é tudo muito interligado. Um personagem pode voltar um capítulo depois ou só aparecer depois de seis meses de história.

Apesar de algumas frustrações, não acho que teria outra maneira de abordar “A Guerra dos Tronos”. Não havia como ser em primeira pessoa com somente um personagem, mas seria tudo frio demais se o narrador fosse totalmente onisciente. Essa foi uma maneira muito boa de nos aproximar dos personagens. Porém, eu achei que tudo ficou centrado demais nos Stark, 70% dos que nos apresentam os conflitos são eles! Eu acrescentaria mais um Lannister. Cersei, mais especificamente. Ela passou por muita coisa ruim e sinto pena dela, mas é tão nojenta que o fato de não ter morrido me deixou triste.

As personagens femininas são incríveis. Vi várias resenhas por aí que odiaram o livro especialmente por causa da misoginia que o autor pratica no livro. Deixa eu falar uma coisa: as sociedades que encontramos são extremamente machistas, mas a história em si não é. Nós nos afeiçoamos à Arya por vê-la desafiar a corte inteira se comportando como um garoto, e sentimos raiva de Sansa por diminuir a irmã quando essa simplesmente quer se divertir. Se o livro fosse machista, nós seríamos impelidos a sentir exatamente o contrário.

Tem ainda Daenerys, uma garota de catorze anos – CATORZE ANOS – que desde pequena teve a vida decidida pelo irmão mais velho, até finalmente perceber que ele não era tudo o que dizia ser, e que ela mesma não era alguém inferior. Ela podia ser grande, e começou a caminhar para isso. Dany passou a ser khaleesi, respeitada pela sociedade tão diferente da sua, não quando se casou com o grande Khal Drogo, mas quando começou a agir como uma. Gente, só o arco dessa garota é suficiente para classificar “A Guerra dos Tronos” como feminista. Mas não vou entrar nisso agora; esse assunto merecia um estudo só dele.

Teve um detalhe que eu não curti nos personagens: era perfeitamente possível determinar os mocinhos e os bandidos entre os principais. Claro, alguns como Mindinho mudam de lado de acordo com o que lhes der mais vantagens e segurança, mas dava para ver quais tinham um coração bom e os que tinham sido corrompidos por desejos de dinheiro e poder. Mas eu imagino que isso tenha acontecido mesmo por causa da “preferência” de pontos de vista, como falei ali em cima. Se houvesse uma variação maior, quem sabe... imagino o que não pensaríamos dos Stark se mais Lannister narrassem  Ou mesmo Jorah Mormont, queria saber mais sobre ele. Tem gente sobre quem nós não sabemos quase nada, mesmo que apareça regularmente.

Se bem que isso é algo compreensível: esse volume não foi nada mais do que uma introdução. O chão de todo mundo daquele continente caiu, não só por causa de guerras entre reinos amigos por causa de um trono, mas também devido a ameaças desconhecidas, praticamente vindas do passado com zumbis e tudo. Ainda assim isso tudo não foi mais que um começo, um gatilho para coisas ainda piores acontecerem. E o inverno ainda nem chegou. Humanos só fazem merda mesmo...

Eu iria ler esse em e-reader, mas é TÃO bom segurar esse tijolo!!

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