Sherlock: The Casebook

"Não compre este livro. O autor transformou o que deveria ser uma coletânea de lições em um entretenimento desprezível e inútil.
A ciência da dedução é um ramo do conhecimento humano que requer uma análise rígida; porém, aqui ela está representada com ilustrações extravagantes, desfigurada com humor e repleta de fofocas.
Aparentemente, esse tipo de sensacionalismo é necessário para prender a atenção do público, ainda que seja a mesma coisa que adaptar um romance de escritório em um estudo sobre física quântica. Somente um imbecil ficaria impressionado. Sirva-se."  
Sinopse 
Essa é a melhor descrição que o arquivo poderia ter! O autor faz piada do próprio trabalho ao mesmo tempo que consegue incorporar os pensamentos de Sherlock sobre esse tipo de livro. Quantas vezes o personagem não reclamou com seu amigo sobre a romantização do seu trabalho, seja nos livros ou no seriado? Quando li essa ~sinopse, pensei que Guy Adam tinha caprichado, afinal de contas, e que valeria a pena comprar.

Bom, falo isso porque sempre tive preconceito contra esses livros que se propõem a explicar um filme, seriado, ou até mesmo outra obra literária que esteja fazendo sucesso. Todos os que eu já havia lido eram completamente dispensáveis, não dizendo mais do que qualquer um saberia ao aproveitar o produto original. Para mim, esses guias não passavam - ou melhor, não passam - de manuais bonitinhos (às vezes, nem isso) para os fãs deixarem na estante.

Por que você compraria um livro assim?, alguém pode perguntar. Resposta: pelo motivo que eu acabei de comentar!! "The Casebook" é sobre Sherlock, ponto. Eu queria ter um volume só meu cheio de fotos inéditas e curiosidades bobas do seriado. Naturalmente, descobri que dentro há bem mais do que isso.

Algo que eu adorei foi que os vários textos de curiosidades e explicações não são somente sobre o programa, mas também sobre Sherlock Holmes em geral. Temos como assunto as adaptações do personagem ao longo dos anos, a vida ligeiramente frustrada de Conan Doyle, os problemas que alguns atores tiveram ao interpretar o detetive; e, claro, vários comentários dos atores e produtores da série sobre o processo de modernização de Holmes e suas histórias.

Guy Adams escreve muito bem, sem enrolação nenhuma e de maneira bem simples - dá para arriscar se o seu inglês não passar do básico. Não há nenhum aprofundamento nos assuntos, tudo é descrito de maneira que satisfaça a curiosidade dos menos interessados ao mesmo tempo que atiça a do pessoal empolgado. Se bem que isso me deixou um pouco chateada: eu já sabia de praticamente 90% do que foi escrito. Então, foram poucas surpresas; pelo menos as que tiveram foram ótimas. Só eu não sabia que os filmes do Rathbone também eram contemporâneos?? Agora, eu vou ter que assisti-los...

Como não havia muito o que descobrir, o que eu realmente aproveitei do livro foi o scrapbook diário arquivo de John onde ele resume suas aventuras com Sherlock. Tenho certeza de que o personagem tinha um caderno bem parecido quando vivia na era vitoriana, para não se perder nos detalhes quando escrevia para a Strand Magazine. Mas imagino que o Holmes só agora parou para discutir com o amigo por meio de post-its - o que o tédio do século XXI não faz...!

Basicamente, o arquivo reconta os seis episódios apenas do ponto de vista do John, que é enriquecido por recortes de jornal e relatórios policias (que não se sabe como ele consegue...). É claro que alguns detalhes são ignorados porque, oras, o John não sabe que eles aconteceram - como a situação de Irene; já outros são novidades por não terem aparecido na televisão, como o que houve depois do tiroteio no museu em "The Blind Banker". Ou algumas coisas da vida diária em 221B - sabiam que o Sherlock já entupiu o vaso dando descarga em pedaços de cadáveres? Mais de uma vez.

Já faz mais de um ano desde Reichenbach, e sabe-se lá quanto falta para entrarmos na casa vazia. Pode ter certeza de que a leitura de "Sherlock: The Casebook" já vale a pena somente por nos dar um tempinho a mais com os personagens.

É um erro teorizar sem possuir todos os fatos.

Postagens mais visitadas