Três porcento

A implicância de vários pseudo-cults em relação à produções nacionais me incomoda muito. Eu entendo que boa parte da TV aberta é praticamente dispensável, especialmente aos domingos. Mas dizer que não há NADA de interessante feito aqui é ignorância demais - uma pesquisa básica mostra, por exemplo, seriados daqui que são excelentes. Desde alguns que vieram da Globo mesmo (como "Capitu" e "Maysa - quando fala o coração") até aqueles que vemos no Youtube (como "Eu não quero voltar sozinho", que é LINDO DEMAIS).

"3%" é um dos meus seriados favoritos - sendo que essa produção, na verdade, é um protótipo de seriado. O piloto foi feito ano passado e até agora não teve continuação, por falta de patrocínio. E eu realmente não consigo entender o porquê dessa dificuldade, será que ficaria muito caro? A história definitivamente não tem a ver com isso, tenho certeza de que faria sucesso na televisão (já fez pela internet!), por ser de um estilo bem diferente ao que estamos acostmados.


Esse seriado se passa num país fictício que é dividido entre o Lado Bom e o Lado Ruim. É neste último onde a maior parte da população (sobre)vive em lugares apertados e condições não muito divertidas. Essas pessoas crescem escutando histórias maravilhosas do outro lado, onde moram as pessoas trabalhadoras e merecedoras de uma vida confortável. Como esse pessoal rico tem um "coração muito bom", todos os anos é oferecido uma chance aos jovens que vivem na pobreza do Lado Ruim para sair dessa situação, se mudando para o lugar legal.

Todos os que decidirem tentar a sorte tem que cumprir e vencer uma série de tarefas num processo de seleção um tanto desanimador. Nos participantes são testados força física, intelectual e emocional; somente três porcento deles saem vencedores.


Não é exatamente uma novidade ver em uma distopia elementos como uma competição entre as pessoas mais pobres, menos ainda um país aonde os ricos são completamente separados dos outros. Mas isso não é problema nenhum no seriado, pois o roteiro consegue trabalhar todos de uma maneira muito legal. A visão de mundo que a população desse país tem ficou bem definida com pequenos detalhes - por exemplo, os participantes não tem vestiários separados por sexo, e as pessoas do Lado Ruim são "prestadoras de serviço", nunca "trabalhadoras". E, aparentemente, nem têm telefone.

As provas do processo nesse piloto foram simples, mas sensacionais - a primeira é uma conversa perturbadora que aumenta ainda mais o abismo entre moradores de cada Lado. A segunda é uma corrida de artes manuais. A única regra é montar o maior número de cubos de papel. Montar cubos de papel, gente!! Eu assisti ao episódio três vezes, e em todas fiquei acompanhando à prova numa ansiedade enorme, sabendo quem ganharia, como ganharia, e tudo mais. Imagina como seria os outras tarefas??!

Paro por aqui antes de soltar algum spoiler tenso; deixo aqui o piloto completo e a esperança de algum dia terminarem essa história, nem que seja por meio de fanfics!!

O texto foi escrito para o Especial Nacional, criado em homenagem ao dia 7 de setembro e com o objetivo de divulgar o que há de bom que foi produzido por aqui mesmo. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

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