Um "pequeno" texto sobre o começo de "The legend of Korra"


“The last airbender” deve ter sido o melhor desenho que eu assisti na minha adolescência (falando como se eu fosse muito adulta). Os traços da animação, os detalhes das culturas apresentadas, os movimentos das lutas e dobras de elementos, tudo era impregnado com um ar oriental fascinante; num mundo ainda mais encantador, com uma historia voltada para todas as idades. Além disso, o seriado tem a melhor dublagem americana que eu já vi – elas geralmente ficam tão péssimas! Um programa maravilhoso que é praticamente um “must-watch”, em minha opinião.


Havia alguns fãs chatos reclamando que não deveria existir continuação nenhuma. Eu simplesmente virei as costas e esperei ansiosíssima para a estreia de "The legend of Korra”, mesmo tendo demorado tanto para finalmente assistir. Essa segunda parte se passa mais de setenta anos desde o final da anterior. Com a morte de Aang, o ciclo Avatar simplesmente continua. É reencarnado numa garota da Tribo da Água chamada Korra, com uma cabeça demasiada quente. Costuma pensar após o ataque e resolve os problemas na base da porrada. Não é à toa que a dobra de ar, tão delicada, seja um grande problema para ela.

A época em que estamos é, obviamente, outra. Vi pela internet um monte de comentários reclamando das inúmeras mudanças que o mundo sofreu. Parece que muita gente não levou em consideração todos os anos que se passaram. E mais: o que era antes considerado Nação do Fogo, junto com as colônias, agora chama-se República das Nações Unidas. Todos os tipos de dobradores e não-dobradores vivem juntos, e isso com certeza ajudou no desenvolvimento da tecnologia - agora o cenário tem carros e motos correndo pelas cidades, o rádio como o principal meio de comunicação, dentre outras mudanças.

Ao contrário de "The last airbender", não há viagem nenhuma entre os episódios. A Avatar domina quase todos os elementos e fica somente na capital, Cidade da República.

E nesse lugar já tem muita coisa para se ver e explorar. Por exemplo, lá tem torneios de pró-dobra, que são fantásticos! As lutas são entre duas equipes de três integrantes, cada um dominando um elemento diferente. O objetivo é simples: empurrar todos os adversários para fora da arena. Um detalhe que eu acho interessante é que o jogo tem zilhões de regras, portanto as dobras acabam sendo um tanto limitadas, em especial a de terra. Quero ver como isso vai influenciar no resto da história. Ainda assim, é tudo tão emocionante que eu vibrava junto com todo o público! Há também aquele locutor adorável, o melhor que eu já vi. Fala tudo o que pensa sem receio nenhum, e não deixa de narrar nada. Nada mesmo.


Eu adoro perceber e descobrir as influências do que havia na série anterior. Por exemplo, Toph aperfeiçoou a dobra de metal e a partir dela criou uma polícia especializada nessa técnica. A dobra de sangue também foi ligeiramente melhorada, mas nas sombras, por ainda ser considerada macabra demais. Ainda tem a evolução drástica da técnica de bloqueio de chi usada por Ty Lee, que acabou por ter uma participação importantíssima na história.

Os personagens são ótimos; os melhores são aqueles que refletem o passado. A filha de Toph, Lin Beifong, é durona e teimosa como a mãe; o filho de Aang e Katara, Tenzin, é um fofo agora responsável pela volta dos dobradores de ar. Especializou-se na arte e já teve três filhos com a mesma capacidade (sendo que as garotas são as coisas mais lindas e o filho um pé no saco). Adoro ver como ele preza os costumes antigos mas cede aos atuais. Se bem que isso melhora de fato com a sua convivência com Korra.


A protagonista, apesar de sua personalidade esquentada, é também uma graça. Apesar de sempre ter sido protegida em excesso por causa de sua condição, consegue se virar sozinha quando é necessário. Bom, às vezes quase sempre se mete em enrascadas por falta de planejamento e afobação, mas nem por isso deixa de ser independente e ter suas próprias ideias. Ela amadurece com todas as situações pelas quais passa, é influenciada por outras pessoas mas não se deixa levar por ninguém. Resumindo: uma protagonista realmente forte.

Se bem que há algumas coisas que me incomodam, como Mako e Bolin, dois irmãos lutadores em pró-dobra e amigos de Korra. O primeiro me lembra muito o Zuko. Dobra fogo e tem uma personalidade dura e séria, mas sensível. E Bolin é praticamente o Sokka versão 2.0 mais músculos e dobra de terra. Espero que com o tempo essa impressão vá embora.

O Pabu é o melhor.
Acho que o único defeito de verdade da série é o roteiro apressado. Entendo perfeitamente que, com uma protagonista que nem a Korra, nada iria ser devagar ou calmo. Mas alguns acontecimentos são tão corridos que acabam forçados. O conselho do governo da Cidade da República é o que mais me irrita. As decisões são tomadas em questão de segundos, e Tenzin NUNCA tem algum tipo de voz lá dentro. Ok, eles querem mostrar a influência imensa que o presidente do grupo, Tarrlok, tem sobre todos os outros. Só que não tá funcionando muito bem comigo. Lá tudo acontece tão rápido que a gente mal percebe que houve reunião.

Enfim, apesar de um ou outro detalhe irritante, "The legend of Korra" é incrivelmente épico. Praticamente tanto quanto "The last airbender", está exatamente no mesmo nível da série anterior. E a qualidade da animação está melhorando, assim como as lutas. Toda a história desse planeta só aumenta e se aprofunda cada vez mais, ao mesmo tempo que quase faz um paralelo com a nossa própria. 

O vilão da vez, que é para mim pior do que qualquer Senhor do Fogo.
O idealismo de Amon - que, só por curiosidade, tem como significado "o escondido" -  é muito parecido com o que a nossa sociedade anda buscando hoje em dia. É uma pena que os Igualistas, ao buscarem igualdade, terminem pregando justamente o contrário ao marginalizar tanto os dobradores. Nunca haverá igualdade para todos se ninguém puder manter as características que vieram impregnadas no DNA. O direito de escolha e a aceitação da essência das pessoas são pacotes obrigatórios em uma sociedade assim. Infelizmente, no desenho aquilo que Aang utilizou para acabar uma guerra começou outra.

Era para ser um simples texto sobre como foram os primeiros oito capítulos da série, mas achei que algo abordando as principais características que vimos até agora no programa seria melhor. Se por acaso você não acha que uma continuação do anterior seja necessária, simplesmente não assista. Mas também não fique atacando algo que se recusa a conhecer.

Caso contrário, e caso ainda não tenha visto, veja "The legend of Korra"! Depois venha surtar comigo. Nem é tão necessário assim ter visto antes "The last airbender". Mas é sempre bom ter a base, né? Dá para aproveitar melhor. Mas assista de qualquer forma. O final de "When extremes meets" me deixou louca...

Fangirling hard!! \o/

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