Estive lendo: @mor

Parece que achou espaço na estante.

Conhecer outra pessoa por email sem querer não me parece ser algo comum, até porque sempre vi o correio eletrônico como algo mais pessoal em relação às redes sociais. De qualquer forma, é assim que os protagonistas de “@mor” começam a se relacionar. E é somente assim que continuam o contato, que se torna muito mais do que uma mera amizade entre duas pessoas que nem conhecem a voz um do outro. Um sentimento de necessidade e dedicação tão grande surge entre as mensagens que a vida offline também é afetada.

O dilema principal está escrito na chamada do livro. O medo profundo de descobrir que aquela pessoa que você acha conhecer tão bem e vice-versa, ser na vida real uma decepção. Ser diferente demais da imagem que foi criada na caixa de entrada. Ao mesmo tempo, a vontade de sentir o outro, experimentar sua realidade, não é menor. Um relacionamento verdadeiramente conturbado, onde descrições físicas são desconhecidas e que acaba atingindo negativamente outras pessoas.

Ah, para alguém que no momento tem um preconceito inútil com os livros que viram queridinhos pela blogsfera antes mesmo do lançamento, achei esse incrível. Adoro histórias epistolares, e romances nesse estilo são os melhores. O fato de ser via email dá um charme ainda maior, pois as mensagens podem ter qualquer tamanho, desde uma linha escrita até mais de duas páginas. Há também as passagens de tempo entre elas – o fato de demorarem dias ou segundos para serem escritas chega a dar uma pequena agonia.

É tudo tão envolvente que cheguei a me sentir tão fissurada no que estava acontecendo – às vezes no que não acontecia – que não conseguia parar a leitura. Interrompia somente para pequenas urgências, e logo estava com o livro nas mãos novamente. Pode parecer estranho, mas eu não via a hora de terminar. Havia tanta tensão entre as conversas, as brigas, entre o conhecer-ou-não-conhecer, que para mim a agonia estava insuportável. Foi possível me colocar no lugar de cada personagem, e eu sei que não suportaria ser tão viciada em outra pessoa. Percebi que eu não combino mesmo com amor.

Ao contrário de praticamente todo mundo, pelo jeito, nunca tive nada contra Emmi. A chatice dela vinha da sua personalidade agitada, e como sabemos, na vida real ela não se comportava tão impulsivamente – pelo menos na maior parte do tempo. Leo e sua, digamos, inocência aparentemente fingida me irritava muito mais. Mas a mulher meio que mereceu levar aquilo no final – que foi maravilhoso. Eu ficaria feliz só com isso, mas o “Continua...” no fim da página me fez vibrar. Se bem que é impossível não ficar meio receosa com o que vai sair desse novo volume. Como eu disse, não poderia ter desfecho melhor.

Acho que “@mor” foi a melhor história romântica que eu já li justamente por ser tão verdadeiro. Na internet, devido à falta de convivência física, tudo fica mais colorido, tudo é mais distante e, portanto, mais fácil de ser apaixonante. A realidade...é a realidade. Aquilo desejado é possível de ser alcançado – e, quando finalmente é, o encanto aos poucos é perdido. vale aria ter desfecho melhor.
 o que vai sair desse novo volume, çamento,  ra amizade entre duas pessoas que nem conhecem a v

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