Andei assistindo: Doctor Who (2005) - 6ª temporada

Sete meses, é isso mesmo, produção? Sete meses desde que eu escrevi sobre Doctor Who por aqui pela primeira vez. E foi esse tempo todo que eu levei para assistir 6 temporadas com 13 episódios cada. Sim, meu ritmo é muito lento, a TV Cultura quase me alcançou e nesse intervalo recebi avalanches de spoilers, mas fiz bem em não ter me apressado. Com certeza curti muito mais do que se tivesse corrido.


Bom, pulemos logo para o assunto principal, a sexta temporada. É engraçado como as opiniões sobre ela parecem ser sempre oito ou oitenta - ou o fã a ama, ou a odeia. Apesar de ter me arrependido com a direção do Moffat no geral (não parece mesmo ser o mesmo showrunner de Sherlock), eu me diverti muito com essa temporada. O Matt Smith melhorou ainda mais como Doutor, e eu passei a gostar muito de Amy e Rory. Formamos aqui um trio muito fofo! É, vou sentir mesmo falta do casalzinho quando eles partirem, e eu já não ia muito com a cara da tal Jenna-Louise... 

Só que o enredo de Melody Pond (chamarei a River por esse nome agora, é muito mais bonito) foi decepcionante. A mulher realmente não fede nem cheira para mim, ela pode morrer e eu não sentirei sua falta. Alex é ótima atriz, mas ela e Matt Smith não tem absolutamente nenhuma química, e fica complicado ver tanto sentimento nas ações da personagem. O último episódio, mesmo com uma ideia genial - todos os eventos da história ocorrendo ao mesmo tempo sendo que este deixou de passar - não fez muito sentido para mim em relação ao seu título. Para que deveria haver esse casamento? Ele nem parecia animado com isso, fez somente para a garotinha deixar de fazer babaquices...

Fiquei chateada com isso porque eu adorei a ideia do Doutor ter uma namorada desse modo "Benjamin Button". Sendo a série sobre viagens no tempo, nada melhor do que termos uma história de amor aonde os parceiros tem que lidar com essa bagunça! E a ideia de Melody ser filha de Rory e Amy também foi ótima. Pena que acabou sendo mal aproveitada pois, após "Let's kill Hitler", eles passam vários episódios sem nem citar a filha. Não deveria ter apagado a mulher da cabeça deles por tanto tempo. O relacionamento entre eles ficou mal construído.

Falando em confusões temporais, queria muito pedir ao Moffat para parar com essa mania de fazer um monte de merda na história para apagar tudo depois, como se nada tivesse acontecido. Credo, dois finais de temporada terminando desse jeito? E o anterior foi incrivelmente melhor, mais bem planejado e não tão corrido e forçado como esse. O pior é que parece que a história do Silêncio (criatura imitadora dos weeping angels)* parece que seguirá para a próxima temporada...não curti mesmo essa criatura, foi introduzida na hora errada. Eles só assustavam, não vi nenhuma ação deles que não pudesse ter sido feita por outro (me corrigam se eu estiver falando bobagem). Em outra história, talvez ficasse melhor.

O Silêncio só presta para a gente brincar disso.
Acabou que os episódios mais divertidos não foram os mindblowers, que geralmente são os meus favoritos. Os dois primeiros sim, foram muito legais e empolgantes, mas depois tudo ficou parecendo tão corrido e forçado que eu cansei. Os "fillers" foram bem mais interessantes - tirando "The curse of the black spot" (BORING) e "The rebel flesh/The almost people (ZzzZz). O primeiro é praticamente dispensável; já o duplo tem importância significativa na história, mas poderia ter acontecido em somente 45 minutos sem problema nenhum, pura encheção de linguiça; mas valeu muito à pena por ver a cópia do Doutor se enrolando com as regenerações!


"The girl who waited" é um clássico, praticamente. Ao contrário de muita gente, pelo jeito, eu entendo muito bem a situação da Amy, e não acho que deva ser comparado aos 2000 anos de guarda de Rory. Ele sabia que iria passar esse tempo todo esperando, ele escolher passar por isso. O Doutor até falou que não precisava, mas ele ficou mesmo assim. Já Amy nesse episódio ficou esperando uma ajuda que ela sabia que viria. E esperou, esperou, esperou, esperou, até finalmente se decepcionar. Ela estava completamente sozinha, com mais o bônus de robôs por toda parte querendo enfiar uma agulha no pescoço dela. Qualquer outro teria enlouquecido.

Mais, ela ficou esse tempo todo sem poder fazer nada para escapar para, quando finalmente a ajuda chegou, viu a porta fechada logo depois. Preferiria que tivesse as duas Amys...no final a mais velha pode ter perdido sua existência completamente, isso não deleta o fato de que ela passou por aquilo tudo. Na verdade, acho que a borracha nela foi um final ainda mais triste.

"The Doctor's wife" foi o melhor mesmo. Eu não sou muito fã de Neil Gaiman, me processem, mas o amor de praticamente todo mundo por esse episódio era tão grande que eu não pude deixar de esperar algo grande. E foi! Meio tedioso vez ou outra, sem dúvida, mas somente a ideia de personificar a TARDIS já merecia todas as estrelas. Nós já sabíamos que amos se gostavam muito, e essa história nos mostrou que esse relacionamento era muito mais do que qualquer um imaginava. Ah, os diálogos entre eles foram fantásticos...! E ainda voltamos temporariamente à versão anterior da cabine! Não sabia que tinha sentido tanta falta.



Acho que eu reclamei mais do que elogiei, nas isso não significa que eu não tenha curtido. Só acho que o Moffat poderia se segurar um pouco de vez em quando. Até eu me canso com mindblowing demais! Continuo admirando muito o trabalho dele ainda assim, e espero que em setembro ele nos mostre uma temporada melhor, sem tentar enfiar tudo o que exista de mirabolante de uma vez na nossa cabeça. Obviamente, nunca deixando de nos impressionar com essas loucuras.

Ah, e sem Silêncios, por favor.

*PS: Acho até meio chato termos mais uma criatura que exige o olhar direto e constante da vítima como característica para funcionar ou não, se é que vocês me entendem.

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