A Curiosa História do Editor Partido ao Meio na Era dos Robôs Escritores

Como não se encantar com um título desses? Enorme, mas nem um pouco forçado, e bem intrigante. É muito melhor do que o título original: “Fusiones, confusiones, infusiones". Ai, chega a ser até broxante.

Uma pena que esse livro seja tão pouco conhecido. O enredo é muito divertido e tem uma narração que flui naturalmente, sendo então um passatempo perfeito. É também uma crítica muito bem construída sobre o comportamento da indústria editorial e avareza insaciável.

Eu fazendo quinhentas mil anotações D: geralmente, tenho preguiça...

O protagonista Ramón Ferreiro nos mostra a grande transformação que a editora onde trabalhava sofreu exclusivamente para aumentar os lucros, que seria usufruído por poucos e levaria muitos à falência. O humilde homem é apaixonado por literatura, largou uma boa vida para conseguir trabalhar com o que gosta e fica decepcionado, até horrorizado, ao descobrir o tamanho da conspiração que está começando a tomar forma no mundo editorial.

Os ghost writers são obrigados a trabalhar, com pouco descanso e muito abuso, em fábricas que funcionam 24 horas por dia totalmente dedicadas à escrita de livros; os autores são considerados um fardo para as editoras, e existem para fazer pose ao público; por fim, estão projetando um sistema computadorizado para a formação de obras literárias. O leitores são clientes idiotas que são vistos como fonte de dinheiro, e os direitos autorais são um mal que deve ser combatido.

Muitas pessoas dizem que é muito difícil falar daquelas histórias que você gosta muito. Antes eu achava isso uma bobagem, mas de uns tempos para cá tenho sentido isso também. Não que esse livro tenha sido um divisor de águas da minha vida, mas ainda assim eu me enrolei um monte para conseguir escrever esse texto deveria ter pedido ajuda ao CPE. Foi uma leitura incrível, ainda mais sendo hoje uma época em que eu tenho presenciado inúmeras críticas e revoltas e discussões sobre o comportamento das editoras atualmente.

“A curiosa história...” tem um ritmo meio enjoado na reta final.  Estava cansada de todas aquelas reviravoltas. Acho que se essa carga de energia toda fosse menor, a obra teria sido melhor ainda. Nem por isso o grand finale deixou de me surpreender, e com ele fiquei até receosa: a forma como tudo não terminou me deu a impressão de que o autor já vivenciou algo parecido com essa história toda. Entendo que as editoras são corporações que buscam lucro, elas não trabalham somente pelo bem de disseminar a cultura. Mas para conseguir se dar bem financeiramente é preciso trabalho, duro e honesto. Se algum dia chegarmos à uma situação parecida com a desse enredo, eu não sei se vou querer mais viver por aqui.

Sério, se você adora literatura e/ou trabalha nessa área, deve ler isso aqui. Dá muito assunto para conversa. E não estão na moda as distopias? Pois nada melhor do que uma distopia de produção editorial. Tem até polígono amoroso! Não digo triângulo por ter mais de três integrantes. Ou será que não? Nem todas as arestas existiam de fato.

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