Desafio Literário 2012 - O perfume

Serial killers. Não fiquei muito animada com esse tema do Desafio não... estava totalmente fora do clima, e a tentativa de ler “O silêncio dos inocentes” foi incrivelmente irritante. Peguei esse outro somente para não passar o mês em branco, e que surpresa ótima foi! Agradeço de coração à todos que me indicaram.

Essa obra é muito diferente da maioria dos livros sobre assassinatos em série. Não é policial e os crimes não são o ponto principal do enredo. É simplesmente a história do assassino, vez ou outra tem até um ar biográfico. O alvo dos comentários é um cara francês chamado Grenouille. Ele nasceu rejeitado e assim o foi durante toda a sua vida. Não que isso tivesse alguma relevância, sabe. As outras pessoas e suas opiniões eram nada. Grenouille se importou durante toda a sua vida somente com Grenouille e seu bel-prazer.

Nenhum tipo de odor era emanado de seu corpo, mas seu olfato era terrivelmente sinistro – não só conseguia sentir e identificar diversos cheiros que se originavam a quilômetros de distância, como também nenhum que fosse capturado pelo seu nariz era esquecido; conseguia trazer algum da mente e senti-lo a qualquer hora, do mesmo jeito que eu pego para reler um livro da minha estante. Um dom do qual ele se orgulhava, a única coisa que fazia sua vida valer a pena.

A narração de “O perfume” é incrível; não tem nenhum vocabulário mais complicado, mas nem por isso deixa de ser rica. E Süskind escreve para se entrar mesmo na história. Teve uma parte um pouco mais entediante – quem já leu sabe muito bem qual é – mas até essa foi ótima. Eu duvidava um pouco de vários comentários que diziam sobre como as páginas pareciam cheirar a tudo o que era capturado pelo nariz de Grenouille. Acabou que eu agora digo a mesma coisa. Paris devia mesmo feder tristemente, mesmo com tantos perfumistas empregados.

Paris e violetas e cavernas, acho que o cheiro disso tudo ficou bem claro para todos. Mas e o aroma que Grenouille achava ser tão incrível, como será que os leitores o sentiram? Para mim, era algo bem doce e um pouco forte, mas isso porque esse tipo de perfume me agrada. Tenho certeza de que outras pessoas tiveram ideias bem diferentes de como ele seria.

O livro não é só odores, há também uma descrição muito bem feita da sociedade francesa do século XVIII – que não é assim tão diferente da atual. Só muda mesmo a cultura e a ciência, pois a hipocrisia e o egoísmo não somem nunca. O mais bizarro é que o autor coloca essas nossas (sim, nossas: dele e dela, minha e sua) características desprezíveis de um jeito hilário. Bom, eu pelo menos achei. E só fica ainda mais macabro depois do destino daqueles personagens que nós vemos serem influenciados por Grenouille.

Acho que vou parar por aqui, a resenha já está ficando grande demais. Só que isso o que eu falei até agora não é metade do que há para falar sobre essa obra. "O perfume" foi a melhor leitura de 2012 até agora. Uma historia excelente, bem original e perturbadora. 

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