Desafio Literário 2012: Beatriz

Achei engraçado o tema do mês de fevereiro, "títulos com nomes de pessoas". Selecionei vários que eu queria ler há tempos, como Drácula e Anna Karenina, mas notei que eu provavelmente levaria mais de um mês para lê-los. Como não queria correr contra o tempo só para fazer resenha deles esse mês, fui outro dia no shopping à caça de outros para cumprir a agenda. Vi "Beatriz" na estante dos mais vendidos e decidi dar uma olhadinha, apesar de nunca ter me interessado muito com os livros de Tezza. Bom, impossível não ficar intrigado com as primeiras palavras, e já estava quase chegando a metade do livro antes de chegar em casa.


- Escritores não são boas pessoas. O que me intriga é que os milhares de leitores que ainda restam no mundo, como vocês, essas almas bem-intencionadas aí na platéia me ouvindo, não se apercebam dessa verdade simples e universal. Não satisfeitos em apenas ler os livros que escrevemos, querem também nos ouvir falar, fazem filas atrás de autógrafos, e alguns nos escutam com a adoração que se tem aos santos e aos sábios. [...]
"Beatriz", página 17; editora Record

Uma pequena coletânea de contos com histórias paralelas de Beatriz, uma personagem que aparece em outro livro do autor, "Um erro emocional". Há também uma certa participação especial de outro ser deste livro, o escritor Paulo Donetti. É um livro pequeno, somente sete histórias; e não são nada excepcionais, mas eu gostei de todas. São até meio simples: em praticamente todos a personagem do título, alguém dependente da rotina, se encontra numa situação curiosa e diferente.

Um dos principais motivos de eu ter gostado do livro foi por causa da professora, que é nada mais que um ser humano comum desse século. Beatriz é bonita e jovem, mas não tem grandes preocupações na vida além de seu trabalho. Ela é um pouco tímida e tem medo de sair da zona de conforto (meu mundo começa na José de Alencar e termina na pracinha do Batel; página 92), algo muito frequente em praticamente todos, inclusive eu. 

E os contos são bem legais de serem lido, a escrita de Tezza não é complicada, como pensei que seria. É bem fluida, apesar de várias vezes confundir a narração com divagações e diálogos imaginários na cabeça da personagem. Às vezes pontuações são ignoradas e um parágrafo ocupa uma ou duas páginas inteiras, mas nem por isso a leitura fica complicada, pelo contrário, achei até mais divertido.

O livro é de Beatriz, mas senti falta de Paulo Donetti, ele aparece em somente dois contos. Um dos meus favoritos é justamente um em que ele aparece sozinho, "Viagem", onde ele é entretido por um estranho durante uma excursão de cinco horas até outra cidade. Achei hilário como o desconhecido conta a toda a sua história trágica e o escritor fica perdido em pensamentos fantasiando-a ainda mais com cenas que nunca foram ditas pelo outro.

Pode não ser muito relevante, mas eu me impressionei com o tratamento que a Record deu ao livro. A folha utilizada é maravilhosa, grossa e resistente; a fonte não é pequena nem grande demais, e a capa, mesmo muito simples, é bem bonita. Não é esse verde horrível da foto acima, mas um claro e chamativo, como os olhos da Beatriz.

Não sei se entreternimento é o que Tezza pretende ao escrever seus livros, mas eu me diverti bastante lendo "Beatriz", e pretendo ler algum dia (não em breve, porque há tantos outros pendentes...) "Um erro emocional" para saber mais do relacionamento dos dois personagens que tanto me cativaram.

PS: Um dos contos do livro, "Beatriz e a velha senhora", foi adaptado para um longa metragem. Aqui vai o trailer; se alguém souber onde posso assistir ao vídeo inteiro, me avise. Quero muito ver como ficou.


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