Estive lendo: O signo dos quatro


Este livro se passa uns sete anos depois do caso de Um estudo em vermelho. Vemos um Holmes mais experiente mas, ao mesmo tempo, um tanto deprimido. Ele fica mais animado com a chegada de Mary Morstan, uma cliente que procura ajuda para saber a localização de seu pai, que desapareceu tempos atrás – um caso que com o tempo revela ser parte de uma trama bem mais complicada.


Algo que eu acho engraçado nos livros de Conan Doyle é a linguagem extremamente simples. Não que isso seja algo ruim, pelo contrário, só faz a leitura fluir mais rapidamente. Mas é um tanto estranho ler algo escrito no século XIX e nunca precisar consultar o dicionário.

Apesar disso, o autor exagera um pouco em algumas descrições e, principalmente, nos relatos das pessoas. Às vezes chega a ser entediante ler a história de alguns personagens, eles parecem adorar um drama e contam diversas coisas que várias vezes pouco ou nada tem a ver com o caso. Ficava boba ao vê-los reproduzindo diálogos inteiros que tinham acontecido anos atrás, queria eu ter uma memória tão boa assim.

Nem por isso eu deixei de gostar do livro, me agradou bem mais do que o anterior (se bem que eu ainda prefiro As aventuras de Sherlock Holmes). A história é muito interessante, tem revelações e descobertas muito legais e que não te deixam abandonar o livro, cada vez mais eu ficava ansiosa para saber como toda aquela cadeia de eventos começou, enquanto cada vez mais me impressionava com as deduções de Holmes.

Eu fiquei feliz com a chegada de Mary. Apesar de não ser nenhuma personagem marcante, sempre me simpatizei muito com ela. Ver Watson se apaixonando, ficando com ciúmes e triste por pensar que nunca conseguiria ter algo com a moça, foi tudo tão bonitinho! Tá certo, eu “shippo” (muito) mais o médico com o amigo, mas o casal da vez é uma graça, e fiquei feliz pelo Watson depois do seu anúncio, mesmo já sabendo que aconteceria.

“ 'Para mim’, disse Sherlock Holmes, ‘ainda  resta o frasco de cocaína’. E estendeu sua mão branca e comprida para ele.”                        O signo dos quatro (editora Zahar); página 177

Foi tão triste ver a situação do detetive consultor com as drogas! Nem foram tantas citações a isto, mas mesmo assim deu para sentir fundo. Simpatizei-me com ele mais ainda, mesmo que a mania de nunca contar suas suspeitas a Watson sempre me irrite bastante. Eu realmente espero que ele não definhe depois desse final.

Acho que quem gosta de histórias dinâmicas pode se entediar com  “O signo dos quatro”, apesar de ter um pouco mais de ação do que o outro. Mas eu recomendo muito, principalmente para quem gosta de literatura policial. Apesar de os fatos dos livros serem contínuos, dá para ler mesmo que nunca tenha tido contato com alguma obra de Conan Doyle.

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