sexta-feira, 21 de março de 2014

Downloads - uma pequena reflexão



Depois da pequena loucura que foi a vinda de Mark Gatiss para o Brasil, que eu ainda não superei direito, comecei a pensar na importância absurda que os downlaods tem hoje em dia para as mídias cinematográficas e televisivas. Esse evento da semana passada - sobre o qual eu escrevi aqui - foi muito maior do que alguém poderia imaginar. Nem os fãs, nem o gatiss, muito menos a BBC sabiam que um evento desses movimentaria tantos fãs de Sherlock no Brasil. Mas como tanta gente entrou em contato com uma série que, por aqui, estreou oficialmente apenas em um canal, que só possui quem paga o pacote mais caro da NET? Pois é.

A gente vê muita gente dessa indústria desesperada por causa da pirataria, desejando criar de uma vez por todas alguma regra que elimine sites de downloads ou algo parecido. Mas, ao invés de derrubar o PirateBay, não seria muito melhor se eles se juntassem à essa característica da nossa época? O diretor de Game of Thrones sabe melhor das coisas e reconhece que a pirataria é a melhor forma de divulgação. Por melhor que seja o programa, ele não vai fazer o sucesso que merece se somente o pessoal que tem HBO ou dinheiro para comprar o box de DVD pode assistir. Se não fosse a disponibilidade da internet, a quantidade de fãs de Sherlock e Doctor Who aqui no Brasil com certeza seria insignificante.

São os fãs que fazem a melhor divulgação, mas não há como eles existirem se são poucos os que tem acesso ao material. Há muito mais chance de se fazer dinheiro com algo se todo mundo conhecer ao invés de sugar todo o dinheiro dos poucos que o encontram. É uma pena que, pelas notícias que eu ando vendo, o pessoal que cuida dessas coisas ainda não compreendeu isso, e não desistiram das ideias do SOPA e PIPA...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Da angústia daquilo-que-poderia-ter-sido (ou porque eu me emocionei tanto com uma fanfic)



Depois da 3ª temporada de Sherlock, eu estou meio que numa corrida para ler todas as fanfictions consideradas "clássicas" pelo fandom. Enquanto isso, a leitura dos livros originais é cada vez mais adiada. Sendo daquelas fãs que gostam de sofrer, não estava muito interessada nessa, que é basicamente uma comédia romântica. Mas depois que eu soube que iria ser adaptada para uma websérie, vi que precisava ver qual era a dessa história.

A Finger Slip se passa em um universo alternativo, em que John Watson, ao digitar o número errado, envia sem querer uma mensagem de texto para um desconhecido, um cara chamado Sherlock Holmes. Entediados, eles continuam a conversar só de brincadeira, mas acabam desenvolvendo um relacionamento importante e complicado via SMS. Tem toda a questão do não-quero-te-conhecer-pois-estragará-minha-fantasia, você-não-é-a-mesma-pessoa-que-vive-no-meu-celular, esses dilemas da nossa era. De certa forma, é praticamente a mesma proposta vista em @mor, só que com personagens que significam imensamente mais para mim do que Leo e Emmi.

Pelo jeito, o que mais me emociona nesse tipo de história é a ideia do que eles deixam de viver por medo das coisas não serem como eles acham que deveriam. Ao longo da fic, os dois personagens perdem inúmeras oportunidades de se encontrarem (especialmente devido ao Sherlock, que não sabe lidar com um coração partido) e, no final de tudo, só sobra um ar deprimente e frustrante que me dá uma certa agonia. Talvez seja por eu ser uma pessoa bem covarde e com uma considerável cota de experiência de arrependimento por não ter feito isso ou aquilo. O pior é que, mesmo já tendo aprendido tanto com ficções como com a vida real que não vale à pena se poupar por puro medo das coisas não irem como planejado, eu continuo fazendo isso…

Ah, e eu não estava esperando por aquele epílogo - não só me deixou me sentindo muito mal pelo John, como também abriu uma brecha muito legal para seguir esse universo direto em A Study in Pink. Exijo continuação. Mas, já que eu não posso forçar a autora a tal trabalho, decidi disponibilizar a fanfiction para ainda mais pessoas - irei traduzi-la para português brasileiro. Não me contive ao ver que existe versões coreanas, japonesas e polonesas da história mas ninguém se importou em trazer para a minha língua, então eu mesma vou tomar a frente. Preciso aprender também a tomar a iniciativa de vez em quando.

Ainda mais com essa história de adaptação - quantas vezes isso já aconteceu? Ah, antes que falem, 50 Tons de Cinza não conta, foi fanfic e tal mas a adaptação dessa vai ser feita por dinheiro - a de A Finger Slip será por amor! Estou muito ansiosa desde já, mesmo que o grupo ainda esteja na pré-pré-produção, nem ator para John Watson eles tem ainda! Achei mais uma coisa para esperar e ansiar - os fãs de Sherlock Holmes realmente nasceram para esperar...



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O problema das casas de Hogwarts

É provável que algumas pessoas me odeiem por isso. Ou simplesmente me achem chata demais. As casas de Hogwarts formam um elemento muito amado pelos fãs de Harry Potter, eu mesma adoro imaginar em que casa personagem tal de algum outro livro ficaria, e sou da Lufa-Lufa com orgulho. Porém, na maratona de releitura que estou fazendo, percebo que alguns detalhes do mundo de J.K. Rowling não são tão mágicos como eu achava antes. E a questão dessas casas é o que mais me vem incomodando, de certa forma.


Primeiramente, desde o primeiro livro nós somos introduzidos às casas de maneira estereotípica demais, especialmente em relação às com mais destaque – Grifinória e Sonserina. Na cabeça do público geral, a primeira é a casa dos fodões e a outra, dos malvadões. Isso é, de certa maneira, muito exaltado nos dois primeiros livros – especialmente depois da questão da Câmara Secreta. Porém, quem lê os livros com atenção percebe que não é assim que funciona – existem bruxos das trevas de outras casas, grifinórios se comportando de maneira lamentável e sonserinos com um bom coração.


Mas, no próprio universo dos livros, julgar é encorajado. Especialmente depois da guerra de Voldemort, pais envenenam a cabeça dos filhos com histórias horríveis sobre a Sonserina, e eles vão para Hogwarts sabendo que todos os que vão para lá são bruxos das trevas. E também há a questão de todos os alunos da Lufa-Lufa serem idiotas, de alguns considerarem não valer à pena estudar nessa escola se for para fazer parte dessa casa. É fato que, de um ponto de vista sociológico, esse comportamento dos bruxos em relação às casas daria um estudo muito interessante sobre a questão de identidade e preconceito - e, apesar de sermos restritos à visão do Harry, a Rowling lida muito bem e fielmente aos personagens com esse assunto.


Ainda assim,  é uma maneira de descriminação muito chata e desnecessária. Ok, é tradição e tal, mas eu não consigo entender como ninguém desse mundo viu como essa divisão prejudica as crianças, praticamente impedindo-as de conhecer pessoas diferentes e outros pontos de vista. Elas passam toda a adolescência implicando com os outros e dando valor apenas aos que tem ideias e pensamentos parecidos. Sério, essa divisão não faz bem.


“Ai, Lizzie, deixa de ser chata, é só ficção” – diga isso a quem fica rindo das casas com que os outros se identificam. Diga isso para aqueles que acham que apenas Grifinória presta, para aqueles que acham ridículo fãs que saem com cachecóis da Lufa-Lufa, que sentiriam verginha de fazer tal coisa na rua mas usam o da sua própria casa até em dias de calor (sim, já me disseram isso). Para os que entram em discussões intermináveis na internet sobre qual casa é melhor. Por que tanta descriminação, tanta briga, tanto julgamento?? É só um livro. Por mais importante que ele seja para você (sei que é para mim), não seria muito mais fácil se divertir?


As casas de Hogwarts dividem não só os alunos, mas os fãs também. Os que não percebem que todas as casas são igualmente boas, cada uma apenas tem algumas qualidades que se destacam mais do que nas outras.

Sinceramente, estou cansada dessas discórdias, dessas discriminações, dessas panelinhas dentro dos grupos de fãs. Não só de Harry Potter… por mais que hoje em dia se pregue a ideia de que todo mundo tem direito à sua própria opinião, o que eu menos vejo é respeito às ideias dos outros.

sábado, 18 de janeiro de 2014

A 3ª temporada de Sherlock: pensamentos, expectativas e mudanças


Quando vejo alguém reclamando que o seu seriado favorito vai passar uma semana sem exibição por causa de um feriado americano, ou porque vai demorar alguns meses para voltarem com a temporada, eu preciso respirar fundo para não esfregar Sherlock no nariz desses seriadores mal acostumados.

Não foram só os sofridos dois anos de espera que me deixaram tão ansiosa para essa temporada (a ponto das minhas expectativas ficarem altas demais, devo dizer). Teve o cliffhanger absurdo em que nos deixaram, e o fato da série ser definitivamente a favorita da minha vida – eu sinceramente chorei de alegria nessa season première. E não fui a única... os fãs de Sherlock parecem ser mesmo meio obsessivos.

bem assim mesmo

sábado, 28 de dezembro de 2013

A Irene Adler do Moffat

Após o tragicamente ruim especial de natal de Doctor Who, começaram milhares de discussões sobre a qualidade da escrita de Steven Moffat. Obviamente, Sherlock entrou no meio, e eu vi muitas críticas pesadas em relação ao roteiro da série. Como sou uma fã ligeiramente obcecada, eu fiquei bem chateada ao ver muitos desses comentários – e, mais irritante ainda, ao concordar com vários, especialmente as que envolvem Irene Adler.

Para quem não conhece, Adler é uma personagem dos livros de Sherlock Holmes. Ela é uma das poucas pessoas que derrotou o grande detetive, e geralmente a mais recordada por ser a única desse grupo que pertence ao sexo feminino. Irene aparece em apenas um conto – Um escândalo na Boêmia – mas é uma das figuras mais fortes do Cânone.

Esse conto foi exatamente a primeira história Holmesiana que eu li, e lembro muito bem da risada de alegria que deu ao ver que o mocinho tinha falhado em terminar seu caso, e de uma maneira bem simples, alias. A partir daí, virei muito fã de Irene, uma personagem feminina verdadeiramente forte, que se vira sozinha para sobreviver e faz as suas próprias escolhas, e NÃO o grande amor de Holmes. Até porque 1) ela tinha seu próprio homem e 2) é dito no 1º parágrafo do conto que Sherlock sentia não amor, mas uma profunda admiração por aquela que conseguiu fazê-lo de idiota.

Infelizmente, a maioria das adaptações preferem pegar o nome dela e construir um personagem totalmente diferente: ainda esperta – mas não tanto quanto Sherlock, lógico – e com o principal objetivo de ser o seu interesse romântico. Mesmo a fidelíssima série de 80 Granada fez questão de sutilmente colocar essa inclinação amorosa. Então, por mais original que fosse o programa da BBC, eu não esperava algo diferente quando fui assistir A Scandal in Belgravia.

Ok, agora sim, falemos dessa versão lindamente interpretada por Lara Pulver